O SOM E A FÚRIA


O Escafandro e a Borboleta

Um homem sofre um derrame. Com isso tem uma rara seqüela e só consegue mexer o olho esquerdo. O filme começa bem com uma premissa baseada na vida real. Por um momento achei que estava diante de uma obra-prima. Sobre o triunfo do espírito humano (que seja por bem ou por mal) e da vontade (também sem maniqueismo). Mas estava enganado. Se meu amigo Nilsão tivesse visto, diria que é um drama social da classe média alta. O existencialismo reduzido à poesia domesticada, alimentado à base de educação sentimental burguesa. Mas por que digo isso se sou um leigo na política e no assunto da estratificação social? Porque o filme é sobre a condição enfadonha de um homem social subitamente acometido a uma tragédia pessoal. Durante a exibição, o meu esperado afloramento da essência humana nunca vêm a tona. A transcendência de quem deveria compreender a estratagema da morte e a brevidade inócua da vida não aparece. Ou a revelação da verdadeira natureza da realidade fica oculta no personagem principal incapaz de se desprender do cotidiano mesmo adoentado. Na tela, há somente um niilismo mórbido ou história de um homem-cabresto. Afinal, ele não piscava somente o olho esquerdo mesmo quando estava sã?
Ironicamente tudo afunda como escafandro. Inclusive a dignidade de um homem disfarçado de egoísmo. Confesso que fui assistir por causa dos amigos que acharam o filme “maravilhoso”. Mas não pude evitar de brincar na saída do cinema que o filme afunda como o escafandro e eu deveria ter voado como borboleta para fugir. No fim da sessão, numa triste metáfora da última cena, o cinema desmoronava. O espírito humano sucumbia diante da compreensão rasa, não sobre o homem enfermo, e sim sobre uma sociedade enferma. Quem sofreu derrame foi o filme. E o olho piscava debilmente buscando a simpatia do público.

P.S.: Ou talvez o enferno seja eu. Criticar dessa maneira (ou entender mal) tão elogiado e eloquente filme.

Escrito por Nick Farewell às 12h13
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




14/07/08

Ele tinha perdido a magia. Enquanto conversava com aquela garota que embora desesperançosa mas ele sabia que ainda tinha magia, só podia se divertir melancolicamente com desfile involuntária da magia ao redor. Uma senhora passava agitando um celular cor lilás. Outra senhora passava por eles vindo da outra direção agitando sua bolsa lilás. Enquanto isso, ela falava sobre incompreensão, nulidade da vida e despropósito da existência. Mas o que ela não sabia é que ela ainda acreditava. Ao contrário do homem que perdeu a fé, ao contrário do homem que descobriu a inexistência do sentido da vida ela ainda acreditava. Pois ela ainda questionava. Enquanto cortava calmamente seu quiche de alho-poró, enquanto no andar de baixo na calçada, outra senhora passava apertando seu casaco cor lilás, toda vez que ela mudava de pergunta sempre alguém passava com algum objeto de cor lilás. E ela destilava toda sua tristeza. Toda sua indignação e toda sua raiva. Sem perceber que a magia ainda lhe pertencia. Ao contrário do homem à sua frente que já não acreditava mais. Ou a vida tenha deixado de acreditar nele. Após algumas horas e muitas perguntas depois resolveram se separar. Ele inclinou-se e a abraçou tenramente como se soubesse do seu destino. E ela foi embora com seu tênis allstar cor lilás, de regata lilás e seu casaco também lilás.

Escrito por Nick Farewell às 00h03
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




FLIP saldo

A viagem foi cansativa demais. Trabalho de mais de 15 horas por dia. Ainda estou me recuperando.

Escrito por Nick Farewell às 18h58
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




FLIP Dia Zero (ontem)

Paraty - Cidade Reverência


Apelidei a Paraty de Cidade Humilde ou Reverência. Pois você precisa olhar pra baixo, senão pode cair por causa do chão de pedra todo irregular. Ah, antes preciso dizer que estou aqui na FLIP 2008 com a minha editora, Via Lettera. Mas preciso dizer uma coisa. Pareço que estou num conto de Borges. Depois explico o porquê. Por enquanto é isso. Se estiver por aqui me procure na R. Samuel Costa, 12 ao lado do restaurante Bartolomeu. Até amanhã.

Escrito por Nick Farewell às 22h50
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Para Carol Barres

Sobre o curta "Dizeres Íntimos".

O silêncio é a morada do indizível. O amor está nas entrelinhas. A vida é uma eterna reticência. Das nossas dores infinitas de inexistência, inabilidade e inaptidão, somente nos resta esse caminhar no escuro. Todos cortamos o tomate como se fosse uma cebola.
Bravo.

Escrito por Nick Farewell às 17h18
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Por incrível que pareça

"A única salvação de um ser humano é a alegria."
Clarice Lispector

Escrito por Nick Farewell às 00h21
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Nietzschiano



Escrito por Nick Farewell às 00h15
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




III

A cada dia que passa viver apenas me basta.

Escrito por Nick Farewell às 22h41
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Atarefado

Fiquei tão atarefado que nem consegui postar sobre o lançamento da Front que aconteceu na sexta. Mesmo disputando a atenção com a desfile da Daspu, diria que foi um sucesso. Esteve lotado o tempo todo. Senti falta dos meus amigos. Na correria da organização do lançamento nem se quer consegui convidar meus amigos. Uma pena. Fiquei passando pra lá e prá cá e no intervalo autografando os exemplares. Não sei não. Ando com estranha sensação de que a vida está mais rápido do que eu. Sinto que algo me escapa. Só não sei precisar o quê...

Escrito por Nick Farewell às 00h03
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Sou o que sou

Contei para o Pinduca que vou lançar um livro de poemas. Com todos que escrevi nos últimos 20 anos: vinte e poucos poemas. Ao ouvir, ele disse:
- Pô, você é muito preguiçoso.
- Não Pinduca, o que você não sabe é que eu não gosto de escrever - Respondi.

Escrito por Nick Farewell às 20h56
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




O livro mais importante que existe

O livro da sua vida. Nossas vidas são livros que escrevemos. Faça histórias. Custe o que custar. Nunca desista.

Escrito por Nick Farewell às 20h52
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Este ano

Troquei Festival de Cannes pela FLIP. Vou estar nos dias 1 a 6 de julho na R. Dr. Samuel Costa, 12 no Centro Histórico - Paraty com a Via Lettera (Inclusive a editora tem o livro "Fumaças e Espelhos" de Neil Gaiman, autor da FLIP 2008). Quem for, pode passar lá para dar um alô. 

Escrito por Nick Farewell às 11h23
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Discotecagem

A pedido da Cecília vou discotecar na festa dela na Ópera Buffa hoje.

Ópera Buffa
Praça Roosevelt, 87
Entrada: R$ 10,00


Escrito por Nick Farewell às 19h29
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Vamos rir?



Escrito por Nick Farewell às 21h14
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Contra ofensa, injúria e criticas maldosas

Eu sorrio. :)

Escrito por Nick Farewell às 21h12
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Histórico
Outros sites
  GO na Saraiva
  GO na Siciliano
  GO na Livraria Cultura
  GO no Submarino
  GO no Sebo do Bac
  GO na FNAC
Votação
  Dê uma nota para meu blog